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Domingo, 05/09/2010  
Mais adrenalina e prazer. A realização de um sonho.
15/11/2005 17:30

Desde que experimentei a maravilhosa sensação da queda livre que fui contaminado por uma necessidade enorme de compartilhar esta sensação com o mundo e, em especial, com as pessoas que amo. Durante os 4 anos que tenho no esporte levei muitos passageiros de duplo e alunos para experimentar esta maravilha chamada paraquedismo, mas faltava um, em especial, faltava a realização de um sonho. Um sonho que já havia se tornado público e todos que me conhecem já sabiam que sonhava com o dia em que faria minha mãe saltar.
Mas não poderia ser um simples tamdem, eu tinha que está do lado dela em queda livre, queria beija-la e ver a expressão de extase típica dos passageiros de duplo. E era justamente este o primeiro problema, infelizmente o paraquedismo é um esporte caro e a minha progressão no esporte era sempre limitada pela barreira financeira. Levei um ano para terminar o ASL, tive que vender o celular para fazer o primeiro livre, depois vendi o carro para comprar o paraquedas e assim os anos foram se passando até que, depois de longos 4 anos, adiquirir experiência suficiente para ter certeza que poderia beija-la em queda livre. Agora era só uma questão de oportunidade, esperar o dia certo na hora certa.
No dia 06 de novembro de 2005 o universo conspirava ao nosso favor, era o aniversário dela, o tempo estava perfeito, era um domingo e, coincidentemente, estariamos na ilha, a apenas alguns minutos da área de salto. Não poderia perder esta oportunidade, entrei em contato com o tamdem pilot Kalay Marques e o câmera Paulo Marques e confirmamos o salto para a manhã do domingo.
Enquanto Kalay a equipava e o grande momento se aproximava fui ficando cada vez mais ansioso e a preocupação era inevitável. O salto tinha que ser perfeito, já conseguia visualizar as fotos e precisava que saissem como tinha imaginado... Neste momento começo a me perguntar: e se eu passar para baixo? E se não conseguir beija-la?
Decido, então, colocar um pouco de arrasto, um amigo me oferece um macacão de asa. No meio de toda esta indecisão ouço Kalay zoar: " O primeiro salto da mãe e ele está com mais medo do que ela. Esquece isso, veste o seu macacão e pronto, vamos subir". Percebi que ele tinha razão, estava ansioso e preocupado, mas era apenas um tandem, nada que já não tivesse feito antes, não tinha com o que me preocupar e nem porque ficar colocando arrasto desnecessário.
Todos equipados e prontos pro salto lá fomos nós para o cessna skylane, PT-JQK, sob o comando do comandante Zaurí. Assim que o avião decola ansiedade e tensão se transformam em prazer e satisfação. O visual da ilha de itaparica é alucinante, começamos a conversar e a observar o mundo aos nosso pés, localizamos a área de salto com a família toda reunida esperando por nós e a medida que o avião vai subindo podemos contemplar as diversas paisagens que a Skydive Itaparica Island nos oferece: a ilha de itaparica com todos os seus corais e arrecifes, a baía de todos os santos com Salvador ao fundo, a costa oeste da ilha com suas várias ilhotas, Salinas das Margaridas, Morro de São Paulo, ilha do medo, etc...
Alguns minutos depois estavamos a 10.000Ft e era chegada a hora, porta aberta lá vamos nós (eu e o câmera Paulinho) para fora, logo em seguida Kalay se posiciona na porta do avião com a, tão ilustre, passageira e... Ready! Set! Go! Na saída o tamdem faz um back loop no eixo perfeito e pronto estavamos em queda livre e tudo saía exatamente como planejado, lentamente vou me aproximando e posso perceber a cara de êxtase, o sorriso de orelha a orelha, me aproximo um pouco mais, gripo em Kalay e, finalmente, o tão esperado beijo (o beijo mais marcante da minha vida), fiquei surpreso com tamanha a tranquilidade da corôa em queda livre, completamente consciente algumas poses para a câmera e pronto tinha certeza que as imagens estariam perfeitas, solto o gripe e fico esperando o tamdem comandar, o tamdem comanda, brinco um pouco com Paulinho e comando em seguida...
Assim que pouso percebo a euforia da família, antes mesmo do tandem pousar já conversavamos sobre como foi o salto, quando o tandem estava a, aproximadamente, 600 Ft já era possível ouvir os gritos de comemoração de minha mãe: "É muito bom! É inexplicável! Não tem como ficar em um só não!" Quando o tandem pousa corro para abraça-la e, mais uma seção de beijos e fotos, para encerrar a comemoração com chave de ouro.
Pronto! Tinha conseguido realizar um grande sonho, a expectativa agora era para ver as imagens. Enquanto Paulinho descarregava as fotos para o cd curtiamos a filmagem que estava perfeita... Alguns minutos depois e o cd estava pronto e pude confirmar, o que já era esperado, as fotos estavam iradas, fantásticas!
Gostaria de agradecer a toda a equipe da Skydive Itaparica Island, pelo profissionalismo e excelente trabalho. As imagens deste salto vão ficar guardadas na memoria e nas paredes lá de casa como um verdadeiro troféu!

Now she understand why birds sing, because only skydivers know why birds sing!

Origem: Skydive Itaparica Island
Autor: Alfredo Santos "baiano"


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