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Quarta-feira, 08/09/2010  
Curso de Pilotagem é um sucesso.
05/08/2008 09:11

Concluímos no dia 03 de Agosto na Ilha de Itaparica Bahia, com certeza o maior curso de Pilotagem de Velames ministrado até o momento por mim em quesitos de quantidade de saltos e informações transmitidas.

Foram um total de 10 alunos com a proposta de realizar cada um 40 saltos de treinamento intensivo.

O grupo se formou com a idéia inicial de aproveitar um pacote de saltos baixos oferecido pela área, que sairia ao invez de R$ 60,00 à 5.000 pés, por R$ 45,00 dentro das condições de comprar 40 saltos em um grupo grande para participar do curso.

O profit de instrução que custa R$ 500,00 por pessoa, para um dia, foi também ajustado para todo o curso.

Assim juntaram: Aragão, Fernando Ninja, Adriana, Eduardo, Cabral e Henrique de Aracajú, Sergipe, e Dr. Álvaro, Kbra, Gegeu e Veca de Salvador, Bahia para fazerem juntos o curso.

O curso iniciou nos dias 27, 28, 29, 30 e 01 de Julho e por problemas meteorológicos concluímos nos dias 30, 31, 01, 02 e 03 de Agosto de 2008. Foram 40 saltos e alguns alunos ainda não concluíram e continuaram até o término da programação.

Na turma tínhamos alunos de todos os níveis de experiência, inclusive um curioso, que veio com a turma querendo saltar, simplesmente queria saltar. Mas esse cara, o Henrique, que acabou de concluir o seu curso AFF, mostrou para toda a turma que a falta de vícius e a mente aberta para novos conceitos ajuda muito no aprendizado. E ele acompanhou toda a parte teórica do curso, realizando todos os exercícios de chão e assistiu a quase todos os saltos de treinamento. O resultado, ele pousa mais no alvo e com melhor posição e controle do que alguns alunos do curso que já tinham quase mil saltos. Mérito do instrutor? Claro que não, mérito individual do atleta e do processo que ele foi submetido de instrução e cuidado com a segurança.

No início tivemos muita teoria e treinamentos no chão, inflando nossos velames, andando juntos de carro para entender sobre inércia e progressividade. E nos primeiros saltos muitos exercícios básicos para entender como funciona o pára-quedas de cada um e qual o comando correto para cada situação. Se quero que o meu velame vá para frente, o que devo fazer? Se quero que ele vá para trás ou para cima e para baixo. Fizemos exercícios mais avançados onde abríamos mais alto e treinávamos o completo stol conhecendo o limite de cada um. Ajustando ponto de flare, ajuste dos batoques e ficando mais confortável para preparar nosso equipamento para um melhor vôo.

Aprendemos não só a ajustar a asa para o vôo, mas também a nossa postura física e mental que é mais do que 50% de um bom e seguro pouso.

Nossa rotina de treinamento foi séria e rigorosa. Acordávamos às 4:00 horas da manhã e às 5:00 já estávamos iniciando nosso alongamento e equipando para decolar ainda escuro. Víamos o sol nascer na saída do avião e quando pousávamos ele nascia novamente, enquanto debrifavamos o salto e ajudávamos os dobradores para entrar na rotina do dia, onde faríamos entre 5 a 10 saltos antes do por do sol.

Depois de muitos saltos e diversos exercícios iniciamos uma rotina de treinamento mais específica, fazendo pequenos ajustes salto a salto. Utilizando neste momento um corredor de macarrões posicionados no meio do gramado da área de saltos.

Quando já havíamos progredido para o uso do tirante dianteiro no mergulho, prontos para uma maior velocidade controlada e dentro da programação (depois de mais de 30 saltos seguidos com briefings e debriefings) e ainda sem a necessidade de fazer uma curva antes de pousar, apenas acelerando em linha reta, fomos, em um por do sol, depois de um dia inteiro de saltos, montar o mesmo corredor de macarrões que estava no gramado e na mesma posição, agora no pond. E lembro-me bem da expressão dos atletas quando eu tirei a roupa, ficando só de bermuda e disse: Quem quizer saltar e esfregar o pé ao invéz de na grama como vocês estão fazendo, aqui no lago, tem que entrar antes comigo para tomar um banho e conhecer bem o local. È uma questão de sorte, disse para eles. E eles riram, ficaram na defensiva e sem acreditar, achavam que eu estava tirando uma chinfra, brincando mais uma vez.

E eu não estava, acreditava mesmo que eles já estavam prontos e que eram capazes.

Para minha tranqüilidade e felicidade como instrutor eu estava mesmo certo e os pousos no pond foram não só muito seguros, mas além da minha expectativa bastante técnicos e bonitos de se ver, como mostra as fotos.

As pessoas saltam porque querem se divertir e nem pensam em se machucar, não querem passar os limites e permitir que possam se colocar em risco.

Por isso a maioria não tenta conhecer mais o velame que salta, só ouve dizer, “Não faça curva baixa. Mata!” E mata mesmo!

Mas o que devo fazer se o avião me lançou muito longe e está difícil para chegar, mas estou chegando de cauda e agora, ninguém nunca me disse o que fazer!

E não pára por aí, se ouvimos falar sobre os exercícios, como olhe para baixo antes de sair do avião, mas nunca treinamos isso, demora muito mais para aprender e conseguir realmente fazer.

Olhe para todos os lados depois de abrir seu pára-quedas e saiba onde estão todos os outros, mas não treinamos isso também, e não conseguimos fazer ou esquecemos da importância disso. Deixa que alguém vai olhar para mim, por mim, e cuidar da nossa segurança.

E essa é a principal proposta do curso, treinar e colocar em prática procedimentos e meios para aumentar e solidificar minha consciência e controle da situação, controle do meu velame.

Foram 18 saltos no primeiro momento para cada um presente, e mais 23 saltos no segundo momento. E nenhum acidente ou incidente durante esses saltos. Um dos alunos luxou o ombro durante um flare realizando um rolamento, e não pode continuar com a turma, mas nada grave. Ele já disse que quer concluir o curso assim que possível.

Os dobradores que possibilitaram agilidade e boas aberturas, sempre sorrindo e com boa vontade, merecem um parabéns especial: Natan, Pedro, Raú, Paulinho e Marquinhos. A lanchonete, o manifesto, o piloto e todos os envolvidos, mas principalmente a turma que entendeu o recado trabalhou em cima de novos conceitos e principalmente aprendeu a trabalhar em grupo durante estes dias, um grupo coeso e eficiente!

Eu fico feliz por ter ajudado essas pessoas a chegar a seus primeiros objetivos dentro do controle de velames e principalmente contente por estar passando uma informação tão valiosa e que tanto demorei a encontrá-la.

Depoimentos

Gegeu (450 + saltos) Salvador, Bahia.

Positivo:

- A evolução aconteceu nitidamente para todos.

- O grupo estava unido.

- Boa disciplina.

- Bons Briefings e debriefings.

À melhorar:

- Definir as datas com mais antecedência.

- Acordar um pouco mais tarde. Às 6 horas ta bom!

- Comer na própria área, sem sair, pois perde tempo e possíveis janelas de lançamento.

Eduardo Trindade (Cat. “A”) Ajú, Sergipe.

No início achei que o curso não seria interessante para um iniciante no esporte, mas depois dele minha visão de pára-quedista foi ampliada, me sinto mais confiante e pronto para novos desafios.

Kbra Jairo (150 + saltos) Itaparica, Bahia.

O aprendizado foi 10, porque aprendi coisas que nunca pensei em fazer com apenas 40 saltos de treinamento. Teoria excelente, a preocupação do instrutor com a segurança dos alunos sempre acima de tudo. Saltamos com diversas situações, inclusive com ventos fortes e mesmo assim pousamos sem nenhum incidente, colocando em prática os recursos ensinados no curso. Agora me sinto mais preparado para as diversas situações que possam ocorrer nos pousos. Professor Kalay está de parabéns.

Aragão (cat. “D”) Ajú, Sergipe.

Ter participado do curso de vôo de velame, após tantos anos no pára-quedismo me ensinou e mostrou conceitos importantes em relação a segurança, que passei a ter em como voar e pousar um velame, seja ele de qualquer tamanho.

O curso é motivante, cheio de desafios que só participando para entender melhor.

O grupo, o instrutor, dobradores, piloto e os demais envolvidos entraram no espírito do curso e isso só fez ficar melhor.

Parabéns a todos, que só vieram a melhorar.

Quanto a pontos a melhorar, onde sempre teremos um, cada um sabe o seu e cabe só a você melhora-las.

Adriana Littig (100 + saltos) Ajú, Sergipe.

Quem não fez o curso não tem idéia dos inúmeros recursos que seu velame possui para sair das mais diferentes situações adversas. O curso não foca apenas um pouso bonito, de alta performance. O ponto mais importante é o aumento da segurança no pouso. Tenho pouca experiência no esporte e durante estes dias de curso e de convivência com os colegas da turma, que trabalharam como uma equipe, obtive um crescimento muito importante, no esporte e na amizade. Valeu Kalay! Valeu turma!

Veca Pinheiro (200 + saltos) Salvador, Bahia.

Aham, aham...
Sobre a importância da instrução direcionada à navegação e pouso, não resta dúvida que é tão importante quanto aprender o procedimento de emergência! Explico... Vou ser bem seca. Pela estatística, paraquedista morre (ou se quebra todo) é no pouso, caramba!!
Enquanto não for obrigatório esse tipo de instrução para os atletas que começam a sair do padrãozinho (vento de nariz, estável e sem turbulência, área de pouso ideal, lançamento perfeito, boa visibilidade, ausência de fila para pouso, etc) vamos continuar tendo fatalidades como a da nossa colega Carol, em Manaus, e outros tantos casos bobos e bizarros, onde mesmo com todas as condições ideais, o cara se arrisca por pura ignorância e total desconhecimento sobre o funcionamento de um velame aberto.    

Fernando Ninja (168 + saltos) Aracajú, Sergipe.

A importâcia do curso de Pilotagem de Velame para mim tem a seguinte definição:
Quando o Pára-quedista não tem conhecimento gera uma insegurança e com isso está vulnerável à acidentes, más se ele ganha conhecimentos  ele adquire também confiança e conseqüentemente aumenta a segurança que é fundamental.
Estatisticamente falando, a maioria dos acidentes que acontece na navegação e no pouso, é por falta de conhecimento técnico.
Através desse curso de Pilotagem de Velame, cheguei a conclusão que durante meus saltos anteriores, a navegação e o pouso eram muito primários, como acontece com a maioria dos pára-quedistas mesmo tendo experiência. Hoje através da conclusão do curso, me sinto mais seguro e em condições de pousar em várias situações críticas e em lugares restritos.
Gostaria ainda de observar que o curso é para qualquer nível de pára-quedista, tanto para iniciante, como também para pára-quedista com experiência.
Só fazendo o curso para chegar a esta conclusão.
Agradeço a união do grupo que foi nota mil e aos dobradores que dobraram como nunca. A Paulinho grande fotógrafo, ao comandante Max que pilota com muita precisão, não esquecendo do grande instrutor Kalay que foi idealizador e fez acontecer.
Nos encontraremos em breve. Um abraço,
Fernando Ninja.

Dr. Álvaro (200+ saltos) Feira de Santana, Bahia.
Comentarios sobre o curso:
O pára-quedismo pra nos que não somos profissionais do esporte é diversão, claro. Mas, a cada salto que se faz , sente-se a necessidade de evoluir , não necessariamente pra se tornar um instrutor ou fazer pousos bonitos, mas para aumentar a segurança e aprender a sair de situações que a pratica do pára-quedismo, de vez em quando, nos impõem.
Comecei o curso de pilotagem de velame , antes da turma e com poucos saltos de treinamento, notei que a diferença é gritante, até a maneira de "ver" o seu velame, muda e vc começa a entender que seu pára-quedas deve fazer parte de vc e tudo começa a ficar mais fácil de entender e de executar.
Por fim acredito que todo paraquedista deveria fazer esse curso. O aumento da segurança e da confiança que o aprendizado traz, faz os saltos ficarem bem mais divertidos.


Origem: Fotos: Paulo Marques
Autor: Kalay Marques


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